Sobre Oxigenoterapia Hiperbárica

O que é oxigenoterapia hiperbárica?

Método terapêutico no qual o paciente é submetido a uma pressão maior que a pressão atmosférica, respirando oxigênio a 100 %,
utilizado para tratamento de inúmeras patologias.

Com o esse tratamento é realizado?

O tratamento é realizado diariamente em câmaras hiperbáricas em pressões que variam de 2,4 a 3,0 atmosférica durante períodos de uma a uma hora e meia de duração.

Quais os tipos de câmara hiperbárica existem?

Existe vários tipos de câmara hiperbárica. Basicamente podemos classifica-las em câmara mono-pacientes (apenas um paciente) e multi-pacientes (mais de um paciente). O Brasil já produz os dois tipos de câmara.

Quais são indicações para oxigenoterapia hiperbárica?

O CFM reconhece a OHB desde 1995 através da resolução 1.457/95. Para facilitar a indicação da OHB, o serviço de OHB da USP criou a escala de Classificação de Gravidade da USP, para orientar médicos e gestores públicos e privados baseados nas indicações reconhecidas pela resolução do CFM.

Escala “USP” de gravidade
Avaliação para tratamento com OHB*

ITENS

PONTOS

1 ponto

 

2 pontos

 

3 pontos

 

Idade

< 25 anos

26 a 50 anos

> 51 anos

Tabagismo

 

Leve / moderado

Intenso

Diabetes

 

Sim

 

Hipertensão arterial sistêmica

 

Sim

 

Queimadura

 

< 30%

> 30%

Osteomielite

 

Sim

c/ exposição óssea

Toxemia

 

Moderada

Intensa

Choque

 

Estabilizado

Instável

Infecção / secreção

Pouca

Moderada

Acentuada

> Diâmetro DA > lesão

< 5 cm

5 a 10 cm

> 10 cm

Crepitação subcutânea

< 2 cm

2 a 6 cm

> 6 cm

Celulite

< 5 cm

5 a 10 cm

> 10 cm

Insuficiência arterial aguda

 

Sim

 

Insuficiência arterial crônica

   

Sim

Lesão aguda

 

Sim

 

Lesão crônica

   

Sim

Alteração linfática

 

Sim

 

Amputação / Desbridamento

Em risco

Planejada

Realizada

Dreno de tórax

 

Sim

 

Ventilação mecânica

 

Sim

 

Períneo / mama / face

   

Sim

Classificação em 4 grupos ( I a IV) pela somatória dos pontos:
G I: < 10 pontos G II: 11 a 20 pontos G III: 21 a 30 pontos G IV: > 31 pontos

Mortalidade de acordo com os grupos:
G I = 1,2% G II = 7% G III = 30% G IV = 66% (p < 0.001)*

(*) The “University of São Paulo (USP) Severity Score” for hyperbaric oxygen patients. M. D’Agostino Dias, S.V. Trivellato, J.A. Monteiro, C.H.Esteves, L.M/.Menegazzo, M.R.Sousa, L.A Bodon. Undersea & Hyperbaric Medicine V. 24 Supplement p.35. 1997.


Indicações de OHB conforme Resolução CFM 1.457/95 e classificação de gravidade da USP

   

Início

Indicação

Situações

Nº de sessões

EMERGÊNCIA

Principal

Imediato

1. Doença descompressiva

 Todos os casos

2 a 5

(em 95% dos casos)

2. Embolia traumática pelo ar

3. Embolia gasosa

4. Envenenamento por CO ou inalação de fumaça

5. Envenenamento por gás cianídrico / sulfídrico

URGÊNCIA

Tratamento adjuvante

Imediato conforme condições clínicas / outros procedi- mentos

6. Gangrena gasosa

 Todos os casos

10 a 30

(em 95% dos casos)

7. Síndrome de Fournier

 Classificação de gravidade da USP III ou IV

8. Outras infecções necrotizantes de tecidos moles: celulites, fasciites, miosites (inclui infecção de sítio cirúrgico)

Classificação de gravidade da USP II, III ou IV

9. Isquemias agudas traumáticas: lesão por esmagamento, síndrome     compartimental, reimplantação de extremidades amputadas e outras

Classificação de gravidade da USP II, III ou IV

10. Vasculites agudas de etiologia alérgica, medicamentosa ou por toxinas biológicas: (aracnídeos, ofídios e insetos)

Em sepse, choque séptico ou insuficiências orgânicas

11. Queimaduras térmicas e elétricas

Acima de 30% de 2º e 3º graus ou queimaduras em áreas nobres (face, mamas, mãos, pés, períneo, genitália)

ELETIVO

Tratamento adjuvante

Início planejado

12. Lesões refratárias: úlceras de pele, pés diabéticos, escaras de decúbito, úlceras por vasculite autoimune e deiscência de suturas

Após revascularização ou outros procedimentos cirúrgicos se indicados;

– osteomielite associada;

– perda de enxertos ou retalhos prévios;

– infecção com manifestações sistêmicas

30 a 60

(em 95% dos casos)

13. Lesões por radiação: radiodermite, osteoradionecrose e lesões actínicas de  mucosa

Todos os casos

15. Osteomielites

Após limpeza cirúrgica e/ou remoção de material de síntese

SITUAÇÕES ESPECIAIS

Casos selecionados

Início imediato

14. Retalhos ou enxertos comprometidos ou de risco

Evolução desfavorável nas primeiras 48 horas, e avaliação a cada 5 sessões

10 a 40

(em 95% dos casos)

Quais são as complicações possíveis do tratamento com OHB?

São principalmente os barotraumas (ver perguntas mais frequentes em Medicina Hiperbárica). O mais frequente é do ouvido médio com otalgia por trauma do tímpano que ocorre de forma mais frequentes no início do tratamento quando o paciente aprende as manobras de compensação da pressão através de manobras como abrir e fechar a boca, engolir saliva ou água. Os sintomas desaparecem com a continuidade do tratamento quando as manobras são suficientes para compensação da pressão no ouvido médio.
Caso ocorra o barotrauma, o paciente é orientado a parar o tratamento até desaparecimento dos sintomas, avaliação pelo otorrinolaringologista para definir extensão da lesão, uso de antinflamatórios tópico e sistêmico e analgésico.


Caso o paciente que esteja em tratamento com OHB apresente alteração da consciência, coma. Pode ocorrer também barotrauma dos seios para nasais, principalmente em paciente portadores de sinusite crônica. O paciente referir durante a sessão de dor intensa na face e cefaleia (dor de cabeça), náusea (vontade de vomitar), dificuldade de respirar por constipação nasal, eliminação de secreção sanguinolenta. Esses sintomas podem ser aliviados ou perdurar após saída da câmara. O diagnóstico poderá ser feito através de RX ou tomografia dos seios da face. O tratamento também é suspensão temporária do tratamento com OHB, antinflamatórios, analgésico, corticoides e antibiótico. Sempre um otorrinolaringologista deverá acompanhar o paciente.

O barotrauma dentário poderá ocorrer com dentes cariados com cavidades com gás dentro do dente. O paciente irá se queixar de dor de dente, cefaleia (dor de cabeça) ou dor na face durante a sessão de OHB podendo desaparecer ou perdurar após a saída da câmara hiperbárica. O paciente deverá ser avaliado e tratado por dentista. Analgésico, antinflamatórios e antibiótico poderão ser indicados.


Barotrauma ocular poderá ocorrer se o paciente entrar na câmara com lente de contato. Existe uma fina camada de ar entre a lente e a córnea que é comprimida durante a pressurização e se expande durante a despressurização podendo lesar a córnea. O paciente irá referir dor no olho afetado. O tratamento também é suspensão temporária do tratamento com OHB, antinflamatórios, analgésico, corticoides e antibiótico. Sempre um oftalmologista deverá diagnosticar e acompanhar o tratamento.

O tratamento com OHB poderá ser reiniciado após o tratamento do barotrauma.

Existe contra-indicações para se realizar OHB?

Sim. Algumas são relativas outras absolutas.
Absolutas:

Uso de drogas – Doxorrubicin, Dissulfiram, Cis-Platinum;
Pneumotórax não tratado;
Gravidez.

Relativas:

Infecções das vias aéreas superiores;
DPOC com retenção de CO2;
Hipertermia;
História de pneumotórax espontâneo;
Cirurgia prévia em ouvido;
Esferocitose congênita;
Infecção viral - Fase aguda.

Obs: todas essas merecem ser avaliadas antes da realização da oxigenoterapia hiperbárica.

Quantas sessões são indicadas para tratamento total?

O número de sessões irá depender de diferentes fatores entre elas a etiologia (causa) da lesão, tempo de evolução, em casos de ferida a sua extensão e profundidades, patologias associadas, comprometimento sistêmico, uso de drogas que podem interferir na cicatrização como corticoides e outras drogas imunossupressoras.


O paciente e sua ferida deverá estar sendo sempre reavaliados para se determinar a resposta ao tratamento e a necessidade de intervenção cirúrgica, mudança de medicações e curativos. A Undersea e Hyperbaric Medical Society (http://membership.uhms.org/ ) elabora regularmente um protocolo completo com todas as patologias com indicação de tratamento com OHB e o número de sessões sugeridas para cada uma.

Vale a pena lembrar que o tratamento com OHB não exclui outros tratamentos. Muito pelo contrário. É tratamento coadjuvante fazendo parte de um plano terapêutico bem elaborado onde a OHB é um otimizador da resposta fisiológica no combate a infecção, aceleração da cicatrização e diminuição da resposta inflamatória local e sistêmica. O médico hiperbaricista deverá fazer parte de uma equipe multiprofissional que deve elaborar em conjunto o esquema terapêutico do paciente.